Todos os pilotos tem plena noção da importância do domínio das técnicas de voo por instrumentos. O IFR é a base dos cursos de piloto comercial, tanto nas partes teóricas quanto práticas, mas a realidade é muitas vezes diferente do que é aprendido nos treinamentos de base.
Saber realmente voar IFR envolve muito mais que os conhecimentos dos programas de ensino requeridos pela ANAC, principalmente pela evolução tecnológica no cockpit, que transformou a forma de voar e navegar.
É claro que os conceitos básicos de controle da aeronave em condições IMC, a consciência situacional, a leitura e interpretação de cartas, a aplicação do CRM, as habilidades de navegar e aproximar por NDB/VOR/ILS são indispensáveis, mas o voo por instrumentos vai muito além disso na atualidade.
Vamos citar 3 pontos muito importantes, mas muito pouco explorados pelos cursos de formação básica de pilotos.
Navegação baseada em performance
O PBN (Performance based navigation) já não é mais nenhuma novidade tecnológica e já é praticamente o modelo de navegação padrão em todo o mundo. Conhecer e saber navegar RNAV é pré-requisito para todos que voam IFR, mas essa não é a realidade atual, principalmente por pilotos no início da carreira. A competência de voar RNAV abrange muitos conhecimentos e habilidades que vão muito além de voar de fixo para fixo, abrangendo, entre outras coisas: conhecimentos de regulamento para voos RNAV, fraseologia, input de dados no FMS, sistemas de monitoramento, sensores, precisão de navegação, gerenciamento de erro e falhas, conhecimentos em automação e piloto automático, e mais.
Isso por que não entramos a fundo em conhecimentos mais específicos das tecnologias GNSS, aproximações de precisão e RNP, path terminators e outros temas.
Flight Decks
Outro ponto muito relevante é o domínio da tecnologia embarcada na aeronave em que irá realizar o voo. Os flight decks “Glass Cockpit” já não são exclusivos da aviação de grande porte há décadas. Equipamentos digitais simples de navegação como os Garmin GNS430 até os novos Garmin G1000 NXi/G3000 e Rockwell Collins Proline 21 e Fusion são muito comuns em aeronaves de todos os portes da aviação geral e algumas vezes até na experimental.
Saber operar os sistemas embarcados em sua aeronave com maestria é muito importante. Não basta conhecer e saber voar IFR, e até mesmo por RNAV, se você não domina completamente o FMS (Sistemas de gerenciamento de voo). É através dele que você irá planejar e executar o voo, independente do método de navegação.



