A aviação executiva é cercada de mitos e mistérios que deformam a realidade e causam mal entendimento da atividade, principalmente por pilotos e outros profissionais que não estão ainda inseridos no meio. A provável causa deste fenômeno é o fato da “executiva” ser, de forma proposital, pouco acessível.
O maior dos enigmas em relação a esta atividade é, sem dúvidas, a questão da empregabilidade. Ao contrário da aviação regular, que apresenta pré-requisitos claros para ingresso (experiência de “x” horas de voo, ICAO 4/5/6, IFR, MLTE, etc.) e processos seletivos padronizados, na aviação executiva, a maioria não faz ideia nem para onde enviar seus currículos, e se isso sequer fará diferença nas suas chances de emprego. Sem dúvidas a fórmula é mais complexa e menos matemática, não existe receita pronta.
Apesar da falta de clareza em relação aos meios de se introduzir na aviação executiva, existem padrões claros em relação ao comportamento e aos hábitos de pilotos bem sucedidos deste meio, o que pode levar a uma melhor compreensão das atitudes que os pilotos iniciantes devem tomar para se considerarem fortes candidatos para as futuras vagas.
1° Hábito – Criação de relacionamentos
A maioria dos pilotos executivos tem a plena noção de que relacionamento e networking são fundamentais na construção da carreira. O grande problema é que a maioria cai na armadilha da auto piedade e do “coitadismo”, se preocupando mais em reclamar que não está empregado por que “não tem muitos contatos” ou por que “não é filho de um piloto ou alguém importante”, do que se preocupar com criação da sua própria rede de relacionamentos, algo que pilotos bem sucedidos fazem quase que naturalmente.
Como tudo na vida, a criação de contatos é algo que deve ser construída com o tempo, em etapas. Não há necessidade de se conhecer grandes empresários e proprietários de aeronaves no início da carreira. Ao começar se relacionando bem com atendentes de hangares, mecânicos de aeronaves, equipe de abastecedores e outros prestadores de serviços, sem dúvidas criará a base para sua reputação no meio aeronáutico. A próxima etapa é o relacionamento com os próprios colegas de profissão, afinal, serão outros pilotos que provavelmente terão a maior capacidade de te indicar para uma vaga, mas isso não basta.
Uma das melhores formas de se iniciar um bom relacionamento é através do oferecimento de ajuda. Todos nós precisamos de ajuda e quando alguém se oferece, sem dúvidas causa uma boa impressão e cria um sentimento de reciprocidade. Mas a forma mais comum de oferta de ajuda por parte de pilotos iniciantes é quase sempre a mesma, que já foi eficiente um dia: auxiliar nas tarefas de hangar como limpeza e posicionamento de aeronaves, auxiliar pilotos na transmissão de planos de voo, entre outras, e isso vem causando problemas recorrentes tanto para os aspirantes a copiloto quanto para o próprio funcionamento da aviação geral.



