Gestão Aeronáutica 31 de agosto de 2018 0 Comments Que a manutenção da aeronave é uma questão muito relevante para a segurança de voo, todos sabemos, mas muitos acidentes ainda possuem como fator contribuinte a falha de componentes devido a problemas – ou a falta – de manutenção adequada.
A segurança operacional é dever de todos os envolvidos, desde os diretores da empresa que opera a aeronave até os profissionais que realizam a limpeza e cuidados básicos, cada um com suas responsabilidades, mas nenhuma menos importante. Os pilotos, claro, também possuem deveres e responsabilidades importantíssimos, mas por que é um tema tão pouco abordado nos cursos básicos de formação no Brasil?
Os programas de curso da ANAC para piloto privado e comercial possuem pouquíssimo conteúdo focado na manutenção de aeronaves, e isso reflete diretamente na falta de conhecimentos básicos do tema na maioria dos profissionais em início de carreira. Poucos nesta fase sabem com clareza como funcionam os ciclos de manutenção, os tipos de serviços, a documentação envolvida, a necessidade das inspeções anuais e o principal, suas responsabilidades e deveres para manter a aeronave em condições plenas e seguras de voo.
Mas então, o que um piloto deve conhecer e fazer para atingir um nível aceitável de segurança em sua operação?
Documentação da aeronave
O piloto deve conhecer e se responsabilizar por boa parte da documentação da aeronave que afeta a segurança de voo. Os diários de bordo, cadernetas (de célula, motor e hélice) e outros documentos compõe o histórico da aeronave e o comandante deve conhecê-los bem afim de compreender a situação da conservação e manutenção. Saber preenche-los e atualiza-los de forma correta e constante também fazem parte do dia a dia do profissional.
Conhecimentos técnicos
Conhecer tecnicamente a aeronave que opera é fundamental. Conhecer a operação, teoria de funcionamento e falhas dos sistemas e componentes é básico e deve fazer parte do repertório de conhecimento. Não adianta o conhecimento teórico de conceitos de manutenção quando não se tem os conhecimentos técnicos e práticos da aeronave. Estudar o manual e a operação constantemente, além de trocar experiências com outros profissionais são as únicas formas de se manter preparado quando as falhas derem os primeiros sinais.
Inspeções
Saber inspecionar a aeronave da forma correta é uma das principais habilidades que cabe ao comandante. O walk-around ou inspeção pré-voo é um dos itens que assegura que a aeronave está em condições de voo, porém, é uma atividade que requer conhecimento e rigorosidade no procedimento. Ao realizar as inspeções, o piloto deve saber exatamente quais itens observar e o principal: saber quais são os sinais que apontam para uma irregularidade. Por exemplo, ao observar um conjunto de freios o piloto deve ser capaz de observar se os discos e pastilhas estão com desgaste aceitável, se não há sinais de ferrugem ou vazamento no sistema hidráulico dos freios, se não há folga excessiva, se o sistema está fixado de forma segura, se não há objetos presos a ele que possam causar interferência na frenagem, entre vários outros itens. É comum observarmos pilotos, principalmente com pouca experiência, que realizam inspeções rigorosas antes de cada voo, mas que não tem o conhecimento para identificar um problema ou falha em um sistema, tornando a inspeção vulnerável a erros que podem ser fatais.
As inspeções tem o objetivo de permitir o “despacho” da aeronave para o voo, e pra isso, o piloto também deve saber o que fazer quando encontrar uma irregularidade para tomar a decisão principal de GO (prosseguir) ou No-GO (impedir o despacho). Para isso deve conhecer os requisitos da aeronave e do voo a ser realizado, saber utilizar a MEL (minimum equipment list) e, sempre que tiver dúvidas, recorrer ao mecânico de confiança.
Oficinas e mecânicos
O piloto, principalmente na aviação geral, também possui responsabilidades quando a aeronave precisa realizar um reparo ou manutenção preventiva em uma oficina. Precisa saber quando levar a aeronave para manutenção, qual oficina escolher para o serviço que será realizado, negociar valores e serviços, se portar como o interlocutor entre a oficina e o operador ou proprietário da aeronave, acompanhar os serviços realizados, se comunicar de forma efetiva com os profissionais de manutenção (mecânicos, inspetores, engenheiros, etc) para que estes sejam capazes de entender claramente o estado da aeronave e sistemas, entre outros.



