Se você é, ou está se preparando para ser piloto, você provavelmente já ouviu falar sobre Rotas ATS. Mas você sabe o que são elas?
Segundo a ICA 100-12 (Regras do Ar), as rotas ATS são rotas específicas, cujo objetivo é de conduzir o fluxo de tráfego aéreo de acordo com o fornecimento dos Serviços de Tráfego Aéreo (ATS).
Além do mais, utiliza-se o termo “Rota ATS” para se referir a aerovias (AWY), rota de assessoramento (ADR), rotas de navegação de área (RNAV), rota controlada ou não-controlada, rota de chegada ou saída, entre outras.
A rota ATS é definida por especificações de rota que incluem um designador de rota ATS, a trajetória para, ou a partir de pontos significativos, distância entre pontos significativos, requisitos de notificação e a altitude mínima de segurança.
Por fim, é importante saber que as rotas ATS possuem seus grupos de acordo com o sistema de navegação exigido por cada rota. Neste artigo você verá todos os seus três tipos:
Estabelecidas pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), as Rotas ATS Convencionais são rotas balizadas por auxílios rádio no solo, para direcionar as aeronaves de um ponto até outro.
Para rotas convencionais que são parte do Plano Regional de Rotas da ICAO, ou seja, aerovias internacionais, o DECEA definiu que no Brasil os designadores seriam constituídos pelas letras:
A (Âmbar ou Amber)
B (Blue ou Azul)
C (Green ou Verde)
R (Red ou Vermelha)
Aerovias nacionais, que fazem parte do Plano Nacional de rotas, têm como designador a letra W (White), e as de helicópteros a letra K.
Rotas ATS Convencionais
Designador
Aerovia Nacional
W (White)
Aerovia Internacional
A (Amber) B (Blue) G (Green) R (Red)
Rota de Helicóptero
KW
Como é a Representação de Rotas Convencionais nas cartas ENRC e ARC?
A princípio, o Departamento Controle do Espaço Aéreo (DECEA) definiu que as Rotas Convencionais seriam representadas pela cor verde, sendo:
Aerovias: linhas contínuas
Rotas de Assessoramento: linhas tracejadas
Rotas de Informação de Voo: linhas tracejadas com ponto
Fonte: DECEA-AISWEB
Além disso, sabemos que as aeronaves podem voar em dois tipos de aerovias:
Aerovias Superiores
Aerovias Inferiores
O AISWEB é um site de informações aeronáuticas do Brasil, que possui cartas, avisos, abreviaturas, entre outros. Tudo isso a fim de auxiliar pilotos para um melhor planejamento de voo.
No entanto, na pagina de “Cartas”, na aba “Cartas de Rota“, é possível ter acesso às aerovias, sendo L (Low) para as inferiores e H (High) para as superiores.
Para aeronaves que voam na aeroviasuperior, o designativo da aerovia nas Cartas de Rota (ENRC) e Cartas de Área (ARC) será precedido pela letra U, do inglês Upper, seguidas por um número entre 001 e 999. Por exemplo:
UW473: aerovia superior nacional W número 473
UG264: aerovia superior internacional G número 264
Já as aerovias inferiores possuem apenas o designador, seguido de um número entre 001 e 999. Por exemplo:
W572: aerovia inferior nacional W número 572
R186: aerovia inferior internacional R número 186
O que é Aerovia Inferior (AWY INF)?
A aerovia inferior (AWY INF) se trata de um corredor com dimensões definidas, podendo ser uma Área de Controle (CTA), ou parte dela. No Brasil, são de responsabilidade do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).
Nela, as aeronaves voam até uma altitude de 24.500 pés (FL245), e devem possuir o Sistema de Radionavegação Convencional (NDB ou VOR), para que consigam se orientar nos corredores.
Os limites verticais da aerovia inferior são:
Limite vertical inferior: 500ft abaixo do nível mínimo da aerovia, cujo é indicado nas cartas de rota (ENRC).
Limite vertical superior: FL245 inclusive.
Além disso, as aerovias inferiores possuem uma largura de aproximadamente 30km (16MN), e sobre o auxílio-rádio sua largura chega a ser aproximadamente 15km (8MN).
O estreitamento da AWY INF ocorre a partir de 100km (54MN). E por fim, seu limite longitudinal entre dois auxílios-rádio é de até 100km (54MN), e a largura entre toda essa extensão é de 20km (11MN).
O que é Aerovia Superior (AWY SUP)?
A aerovia superior é um corredor com dimensões definidas, sendo uma área de controle (UTA), ou parte dela. Ao contrário da AWY INF, a superior é designada para aeronaves que voam acima de 24.500 pés.
No entanto, os aviões devem possuir o Sistema de Radionavegação Convencional (NDB ou VOR), para um melhor direcionamento.
Os limites verticais da aerovia superior são:
Limite vertical inferior: FL245 exclusive.
Limite vertical superior: ilimitado (UNL).
Em questão de largura, a aerovia superior possui 80km (43MN), e sobre auxílio-rádio possui 40km (21.5MN). Seu estreitamento ocorre a partir de 400km (216MN).
E por fim, o limite longitudinal entre dois auxílios-rádio é de até 200km (108MN), e a largura entre toda essa extensão é de 40km (21.5MN).
O que são Rotas de Assessoramento?
As Rotas de Assessoramento são rotas dentro de uma Região de Informação de Voo (FIR), localizada no espaço aéreo classe F, na qual se presta o serviço de assessoramento. Mas afinal, você sabe o que é Serviço de Assessoramento?
O Serviço de Assessoramento de Tráfego Aéreo (ADVS) possui a finalidade de auxiliar pilotos que operam com plano de voo IFR, contribuindo com informações mais e eficazes sobre possíveis risco de colisões na rota planejada.
O ADVS é considerado um apoio temporário até que a aeronave volte a estabelecer comunicação com o respectivo serviço ATC, e este não impede que o piloto peça autorizações, ficando a critério do mesmo se irá seguir ou não as sugestões do Centro de Controle de Área (ACC).
O que são Rotas de Informação de Voo?
Assim como as de Assessoramento, as Rotas de Informação de voo são localizadas dentro de uma Região de Informação de Voo (FIR). Nelas, presta-se o Serviço de Informação de Voo e Alerta.
São consideradas como parte do espaço aéreo classe G, e identificadas nas cartas de rota (ENRC) ou cartas de área (ARC) como linhas tracejadas.
O que são Rotas RNAV e RNP?
Antes de tudo, vale lembrar que de acordo com a IS Nº 91-001, RNAV significa “navegador ou navegação de área”, porém também utiliza-se a sigla para se referir a rotas PBN específicas.
No entanto, as Rotas RNAV (Route Area Navigation) e RNP (Required Navigation Performance) são parte de um sistema de navegação aérea, também conhecido como PBN (Performance Based Navigation) na qual possibilita que as aeronaves façam longos percursos com auxílios baseados no solo (VOR e o DME), auxílios baseados no espaço (GNSS), e nos auxílios dentro dos limites de área da navegação (INS/IRS).
Dentre as vantagens do RNAV, tem-se:
Maior precisão nas navegações
Diminuição de custos
Menor impacto do ruído das aeronaves sobre as cidades
GPS e softwares avançados em aviões pequenos e executivos
Além disso, vale ressaltar que o item básico que difere as rotas RNAV das RNP, é o requisito de monitoração e alerta de performance a bordo das aeronaves que cumprem RNP.
Quais são os designadores de Rotas RNAV e RNP?
A princípio, caso a rota RNAV/RNP faça parte do Plano Nacional, ou seja, rota que possui inicio e fim dentro do Brasil, ela terá como designador a letra Z (Zulu). Já as que fazem parte do Plano Regional de Rotas da ICAO, ou seja, rotas internacionais, terá como designador as letras:
L (Lima)
M (Mike)
N (November)
Rotas RNAV/RNP
Designador
RNAV-5 Nacional
Z (Zulu)
RNAV-10 Internacional ou RNP-10 Internacional
L (Lima) M (Mike) N (November)
Rota para Helicópteros
KZ (Kilo Zulu)
Como é a Representação das Rotas RNAV e RNP nas cartas ENRC e ARC?
Assim como nas Rotas Convencionais, nas RNAV e RNP também são acrescidos de um número entre 001 à 999 após o respectivo designador da rota. Por exemplo:
Z18: RNAV Nacional Zulu número 18
UL413: RNAV ou RNP Internacional Lima número 413
UM218: RNAV ou RNP Internacional Mike número 218
Se você é piloto, ou pretende ser, você provavelmente já ouviu falar no AISWEB, que é um website que possui informações aeronáuticas do Brasil a fim de auxiliar pilotos no planejamento de voo.
A imagem abaixo (retirada do AISWEB) mostra a legenda de uma carta ENRC, indica a cor azul nas rotas RNAV/RNP, impostos pelo DECEA.
Fonte: DECEA- AISWEB
O que são Rotas de Voo Visual?
Por questões de segurança de voo, ao realizar um voo visual dentro de uma Terminal (TMA) por exemplo, as aeronaves precisam cumprir algumas regras devido ao fluxo de trafego aéreo de voo por instrumentos (IFR) nas proximidades.
Para estes casos, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) estabeleceu rotas especiais para aviões e helicópteros (REA e REH) que desejam sobrevoar estes locais.
O que são Rotas Especiais de Aeronaves – REA?
As Rotas Especiais de Aeronaves (REA) são corredores visuais definidos abaixo do limite vertical inferior do espaço aéreo, onde geralmente são congestionadas, a fim de direcionar as aeronaves de maneira mais segura.
Cada REA possui suas particularidades, como restrições de altitude, proa, espaços condicionados, entre outros. Portanto, cada rota uma tem sua Circular de Informação Aeronáutica (AIC), que se trata de um documento com todas as informações necessárias para auxiliar no planejamento de voo no local desejado.
Rota Especial para Aeronaves (REA) Terminal Anápolis.Legenda da REA Anápolis.
A seguir, estão todas as Circulares das REA’s do Brasil em ordem alfabética:
Lembrando que cada rota ATS possui suas individualidades, portanto, para ter acesso as cartas, consulte o AISWEB.
O que são Rotas Especiais de Helicópteros – REH?
Assim como para aviões, o DECEA também estabeleceu Rotas Especiais para Helicópteros, mais conhecidas como REH. Essas rotas foram implantadas com o objetivo de orientar o fluxo de helicópteros dentro de uma CTR ou TMA, contendo limitações de altitude, velocidade e sentido de voo adequado em cada corredor.
Além disso, os helicópteros em voos na REH terão sempre à sua direita os pontos de referência dessa rota, exceto quando for previsto de outra forma em uma Publicação de Informação Aeronáutica (AIP) específica.