Hard Skills
As habilidades técnicas são obviamente muito importantes e relativamente “fáceis” de se avaliar em processos seletivos. A habilidade de, por exemplo, realizar uma aproximação IFR em um procedimento ILS, pode ser medida ao se realizar voos em simuladores, muito comum na seleção de todas as companhias aéreas.
A maior dificuldade aqui é a falta de conhecimento prático dos candidatos, afinal, os programas de curso propostos pela ANAC para os cursos de piloto privado, comercial e linha aérea, ainda estão muito atrasados para a realidade do mercado. Enquanto o mercado opera Glass Cockpits, com alto nível de automação a bordo, balizados por procedimentos RNAV/RNP, vigiados por sistemas ADS-B, e tudo mais que os acompanha, o treinamento atual de pilotos se baseia em tecnologias de décadas atrás.
Isso leva as companhias no Brasil a realizarem a parte técnica de sua seleção se utilizando de simuladores básicos, onde o que realmente importa é a capacidade do piloto de se orientar, navegar com precisão em procedimentos VOR/ILS relativamente simples, realizar briefings coesos, interpretar as cartas da forma correta e voar com profissionalismo.
As companhias avaliam as Hard Skills em testes teóricos, avaliando os conhecimentos em navegação, regulamentos de tráfego aéreo, performance e outros temas, e testes práticos em simuladores de voo, como citado acima.
Cada vez mais, porém, as avaliações estão deixando de se tornar tão objetivas, mesmo para as hard skills. O modelo mais atual de avaliação engloba conhecimentos multidisciplinares e resolução de problemas reais e contextualizados, exigindo do piloto muito mais conhecimentos práticos e experiência.
Soft Skills
As habilidades “Soft”, humanas/sociais, já são mais difíceis de se medir e avaliar, e para isso existem as tradicionais dinâmicas de grupo, entrevistas e testes psicotécnicos. As características comportamentais, porém, são avaliadas durante todo o processo seletivo, desde o momento que o candidato tem contato com os primeiros avaliadores.
As competências soft mais relevantes são, por exemplo, a capacidade de se comunicar com precisão e assertividade, a capacidade de liderar dentro e fora do cockpit, a capacidade de manter a consciência situacional em situações adversas, a capacidade de resolver conflitos e a capacidade de tomar decisões corretas.
Essas habilidades são especialmente falhas em diversos candidatos por falta de treinamento, conhecimentos e experiência, afinal, o treinamento básico de pilotos não foca em preparar o profissional para voar em equipe, em operação “multicrew“.




